No método quantitativo a veracidade é avaliada quanto ao manejo da validade interna e pela validade dos testes e instrumentos usados para mensurar o fenômeno sob investigação. Somam-se a estes fatores outros relativos à validade externa (generalização dos achados), à fidedignidade (estabilidade dos procedimentos em teste, permitindo a replicação), à objetividade (neutralidade do pesquisador), à credibilidade (interpretações fiéis da experiência), à adequação (os achados refletem os elementos típicos e atípicos), à verificabilidade (condição de replicação) e à confirmação (quando credibilidade, adequação e verificabilidade estão estabelecidas).

A escolha pelo método varia conforme o problema levantado ou a hipótese de trabalho. São vários os tipos de fenômenos e problemas de pesquisa. Variados também são os métodos quantitativos.

No método experimental o pesquisador é um agente ativo em relação ao fenômeno estudado. Ao contrário da concepção popular, um estudo experimental não é necessariamente conduzido em laboratório e suas técnicas não são exclusivas da metodologia quantitativa. O que caracteriza uma pesquisa experimental é a manipulação do experimento pelo pesquisador, o controle da situação experimental (grupo teste e controle) e a distribuição aleatória ou randômica da amostra.

O método Quase-experimental compreende a manipulação de uma variável independente como, por exemplo, o núcleo de assistência jurídica de uma instituição educacional. A diferença em relação à pesquisa experimental é que, neste caso, não há distribuição aleatória da amostra, o que enfraquece a possibilidade do pesquisador fazer inferências causais. As técnicas referentes a esta metodologia são o grupo de controle não-equivalente (grupo de controle encontra-se fora da situação do experimento), a série de tempo (observação ao longo de um período de tempo), entre outros.

Já o método não experimental apresenta duas categorias de pesquisa, a pesquisa ex post facto e a pesquisa descritiva. A pesquisa ex post facto (a partir do fato ocorrido), ou correlacional, visa determinar as relações entre as variáveis e a qualidade destas relações com o propósito de determinar as causas e os efeitos dos fenômenos. A pesquisa descritiva tem por propósito obter um conjunto de dados detalhados sobre

um fenômeno, no que se refere ao seu significado e freqüência, principalmente. A pesquisa não experimental tende a ser realista, ampliando a compreensão do pesquisador sobre o fenômeno observado. Sua desvantagem refere-se ao fato da sua ineficiência para revelar as relações de causalidade.

As técnicas de pesquisa quantitativa são inúmeras e variadas, temos, por exemplo:

  • Estudos de séries cruzadas que envolvem a coleta de dados em um determinado momento no tempo, durante a manifestação do fenômeno;
  • Estudos longitudinais – organizados para coletar os dados em mais de um momento no tempo, de modo a observar as tendências e a seqüência temporal do fenômeno. São exemplos os estudos de follow-up ou acompanhamento; ? Surveys – organizados para obtenção de informações quanto à prevalência, distribuição e relação de variáveis no âmbito de uma população. Utilizam como técnica de pesquisa a entrevista.

Temos ainda as técnicas de controle da pesquisa quantitativa que visam potencializar o controle do investigador sobre o experimento e as variáveis do estudo. Há as técnicas para o controle dos fatores externos à pesquisa como o ambiente, o tempo e a constância da comunicação aos sujeitos e do experimento em si (estabelecimento de protocolos).

Para o controle dos fatores intrínsecos (a amostra), o pesquisador recorre, entre outras técnicas, à distribuição aleatória dos sujeitos da pesquisa nos grupos teste e controle. Quando isto não é possível, observa a homogeneidade entre os sujeitos da amostra. As variáveis estranhas à pesquisa podem ser arrumadas em um bloco como variáveis independentes.

O método estatístico gera uma verdade provável, não absolutamente verdadeira. Este método significa a redução de fenômenos sociológicos, políticos, econômicos e jurídicos, dentre outros, em termos quantitativos. A manipulação estatística permite comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou significado. O método estatístico se apóia na aplicação da teoria estatística da probabilidade. Pela utilização de testes estatísticos, é possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de uma conclusão, assim como a margem de erro de um valor alcançado. Exemplo:

“Verificar a correlação entre o nível de violência contra os filhos e número de pais desempregados.”

Procedimentos estatísticos

Os registros e a organização dos dados poderão apresentar quadros, gráficos ou tabelas e, desde que recebam um tratamento estatístico, auxiliarão a verificação dos resultados e quais as possibilidades de acerto ou erro.

Análise estatística

A análise estatística é feita em dois níveis: descrição dos dados e avaliação de generalizações obtidas a partir dos dados (GIL, 1995). Segundo Dencker (2000), a análise e a descrição dos dados procuram estabelecer:

a) A tipicidade de um grupo;
b) A variação dentro do grupo;
c) As distribuições dentro do grupo em relação a determinadas variáveis; d) A relação das diferentes variáveis entre si;
e) A descrição das diferenças entre dois ou mais grupos de indivíduos.

Nesses casos, a análise lança mão de medidas estatísticas, como média, mediana e moda, desvio padrão, quartis, amplitude, polígono de freqüência, correlação, distribuição na curva normal, entre outros. De acordo com Dencker (2000), existem dois tipos de análise: condicional, que busca identificar os fatores que determinam a ocorrência de um determinado fenômeno ou situação; funcional, que procura as relações que os vários fenômenos estabelecem entre si.

A avaliação das generalizações obtidas com os dados consiste em determinar se as conclusões obtidas com a pesquisa, que normalmente é feita com uma amostra, podem ser generalizadas para a população ou universo de pesquisa. Para isso, de acordo com Gil (1995), deve-se utilizar o teste estatístico de hipóteses, que procura verificar a existência de diferenças entre as populações representadas pelas amostras.

Interpretação dos dados

De acordo com Dencker (2000, p. 172), o processo de interpretação “consiste em expressar o verdadeiro significado do material em termos do propósito do estudo. O pesquisador fará as ligações lógicas e comparações, enunciará princípios e fará generalizações”. O processo de interpretação, portanto, deve ser considerado como a fase final da pesquisa, em que os dados coletados foram convenientemente tratados e analisados. Nem sempre esse processo pode ser facilmente dissociado da análise, como nota Gil (1995), uma vez que esta já pode ser considerada como uma preparação para a interpretação, com a preparação dos dados.

De acordo com Gil (1995), o principal aspecto que deve ser considerado no processo de interpretação é a ligação entre as informações e dados empíricos coletados e a teoria subjacente aos mesmos. A teoria é essencial para o estabelecimento de generalizações, mas não pode ser considerada como o principal aspecto; é preciso ter em mente que teorias são construtos da mente humana, interpretações da realidade, e como tal, podem apresentar falhas. Da mesma forma, uma pesquisa, normalmente, não permite refutar uma teoria já estabelecida, ainda que possa lançar dúvidas em relação à sua validade.

Dencker (2000) sugere: o pesquisador precisa elaborar modelos de análise dos dados, em vez de se procurar fórmulas prontas, e deve encarar a interpretação como a busca de um sentido mais amplo nos resultados da pesquisa, procurando estabelecer a continuidade dos resultados de uma pesquisa com os de outro, tentando criar conceitos explicativos.

Outros Tipos de Métodos

As pesquisas e os formatos a serem utilizados definem os métodos mais adequados. Sinteticamente, citaremos outros tipos de métodos, com o intuito de ilustrar este capítulo:

Método Dialético: método que penetra o mundo dos fenômenos, através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. Pressupõem uma atitude concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular. Toda a abordagem dialética identifica-se com o princípio da unidade e luta dos contrários, onde todos os objetos e fenômenos apresentam aspectos contraditórios, os opostos não se apresentam simplesmente lado a lado, mas num estado constante de luta entre si. A dialética é contrária a todo conhecimento rígido. Tudo é visto em constante mudança: sempre há algo que nasce e se desenvolve e algo que se desagrega e se transforma (GIL, 1994).

Método Monográfico: consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, instituições, condições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações.

Método Tipológico: apresenta certas semelhanças com o método comparativo. Ao comparar fenômenos sociais complexos, o pesquisador cria tipos ou modelos ideais (que não existam de fato na sociedade), construídos a partir da análise de aspectos essenciais do fenômeno.

Método Funcionalista: é a rigor mais um método de interpretação do que de investigação. Estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades.

Método Estruturalista: o método parte da investigação de um fenômeno concreto e eleva-se, a seguir, ao nível abstrato, por intermédio da construção de um modelo que represente o objeto de estudo, retomando por fim o nível concreto, dessa vez como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência social do sujeito.

Os métodos de estudo e pesquisa tornam mais eficaz e rápida a busca da resposta ao problema, o saneamento da inquietação, a resolução da dúvida. Método origina-se do latim methodus, que significa caminho para se chegar a um objetivo ou a um determinado resultado. Portanto, a metodologia do estudo é um caminho que o estudante trilha, adquirindo durante o percurso os instrumentos exigidos para obter êxito no seu trabalho intelectual.

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Técnicas de pesquisa quantitativa
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