A organização do material pesquisado antecede a redação do texto de seu trabalho ou estudo, seja na forma de fichamento bibliográfico/didático, resumo, resenha, revisão de literatura, relatório de pesquisa, dissertação ou tese.

Leitura

Para a realização do projeto de pesquisa qualquer dissertação científica e, principalmente, para a elaboração do referencial teórico, os processos de leitura e fichamentos de textos são fundamentais.

Ter condições de elaborar resumos é importante na medida em que facilita o processo de síntese e análise dos documentos lidos.

Citações e referências elaboradas de acordo com as normas da ABNT facilitam o processo de identificação dos documentos lidos e permitem que você dê crédito, por uma questão de honestidade intelectual, aos autores das idéias usadas em sua pesquisa.

Saber ler e interpretar um texto é fundamental.

Na leitura com a finalidade específica de redigir um trabalho científico faz-se necessário identificar as informações e os detalhes relevantes indicados no material impresso, relacionando-os com o problema a ser resolvido. É imprescindível analisar a consistência das informações e dados coletados dos diversos autores.

Para facilitar o processo de leitura Severino (2000) recomenda que esta seja feita com base nas seguintes dimensões de análise:

Análise textual: preparação do texto para a leitura. Requer o levantamento esquemático da estrutura redacional do texto. Objetiva mostrar como o texto foi organizado pelo autor permitindo uma visualização global de sua abordagem. Devem- se buscar: esclarecimentos para o melhor entendimento do vocabulário, conceitos empregados no texto e informações sobre o autor;

Análise temática: compreensão da mensagem do autor. Requer a procura de respostas para as seguintes questões: de que trata o texto? Qual o objetivo do autor? Como o tema está problematizado? Qual a dificuldade a ser resolvida? Que posições o autor assume? Que idéias defende? O que quer demonstrar? Qual foi o seu raciocínio, a sua argumentação? Qual a solução ou a conclusão apresentada pelo autor?

Análise interpretativa: interpretação da mensagem do autor. Requer análise dos posicionamentos do autor situando-o em um contexto mais amplo da cultura filosófica em geral. Deve-se fazer avaliação crítica das idéias do autor observando a coerência e validade de sua argumentação, a originalidade de sua abordagem, a profundidade no tratamento do tema, o alcance de suas conclusões. E, ainda, fazer uma apreciação pessoal das idéias defendidas.

Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido é a resposta a três questões básicas propostas pelo professor Francisco Platão Savioli (Professor Assistente Doutor de Língua Portuguesa, Redação e Expressão Oral do Departamento de Comunicações e Artes da ECA-USP):

1. Qual é a questão de que o texto está tratando? Ao tentar responder a essa pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões secundárias da principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratando, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, é sinal de que ele precisa ser lido com mais atenção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos.

2. Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados pelo texto, aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. Por isso, uma leitura competente não terá dificuldade em identificá- la. Não saber dar resposta a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva.

3. Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele está falando a verdade. Saber reconhecer os argumentos do autor é também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das idéias. Na verdade, entender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentativo.

  • A leitura trabalhada é registrada, por meio do fichamento bibliográfico, ou didático, da seguinte forma:
  • Identificação da fonte quando é feito o registro dos dados bibliográficos da obra, segundo as normas da ABNT.
  • Detecção das idéias centrais do texto quando após a pré-leitura, busca- se, na segunda leitura mais concentrada e profunda, assinalar as unidades de pensamento das partes ou parágrafos do texto.
  • Coleta dos dados quando se documenta no fichamento as partes essenciais da leitura, seja por meio de transcrições literais de trechos do texto (sempre entre aspas), por meio do resumo feito pelo leitor ou por uma síntese esquemática do texto lido. A opinião do leitor aborda a inteligibilidade do texto, sua estrutura, articulação interna, grau de dificuldade (linguagem, estilo, neologismos, etc.) e atualidade do tema e bibliografia. Nesta parte o leitor demonstra o quanto conseguiu assimilar e interpretar do texto.

Para redigir suas considerações gerais sobre o texto, observe a seguinte sugestão de roteiro:

Finalmente, a pessoa que se preocupa com a qualidade de sua leitura e com o resultado que poderá obter, deve pensar no ato de ler como um comportamento que requer alguns cuidados, para ser realmente eficaz.

Atitude: Pensamento positivo para aquilo que deseja ler. Manter-se descansado é muito importante também. Não adianta um desgaste físico enorme, pois a retenção da informação será inversamente proporcional. Uma alimentação adequada é muito importante.

Ambiente: O ambiente de leitura deve ser preparado para ela. Nada de ambientes com muitos estímulos que forcem a dispersão. Deve ser um local tranqüilo, agradável, ventilado, com uma cadeira confortável para o leitor e mesa para apoiar o livro a uma altura que possibilite postura corporal adequada. Quanto à iluminação, deve vir do lado posterior esquerdo, pois o movimento de virar a página acontecerá antes de ter sido lida a última linha da página direita e, de outra forma, haveria a formação de sombra nesta página, o que atrapalharia a leitura.

Objetos necessários: Para evitar, durante a leitura, levantarmos para pegar algum objeto que julguemos importante, devemos colocar lápis, marca-texto e dicionários sempre à mão. Quanto sublinhar os pontos importantes do texto, é preciso aprender a técnica adequada. Não o fazer na primeira leitura, evitando que os aspectos sublinhados parecem- se mais com um mosaico de informações aleatórias.

Como fazer o Fichamento

Fazer um fichamento significa traçar o esqueleto da obra, organizar o texto com lógica, colocando em destaque a inter-relação das idéias. O fichamento ajuda o pesquisador a assimilar a matéria e levantar as idéias do texto (análise), ordenando- as (síntese). É uma forma ativa de se tomar contato com o assunto, obrigando o estudioso a retirar do texto as idéias principais, os detalhes importantes e as idéias secundárias que subsidiam as idéias principais.

É uma parte importante na organização da pesquisa de documentos, pois permite um fácil acesso aos dados fundamentais para a conclusão do trabalho.

Existem quatro tipos de fichamento: o fichamento bibliográfico por autor, o fichamento bibliográfico por assunto, o fichamento de transcrição e o fichamento de resumo/ analítico.

Ficha Bibliográfica por Autor

Conforme o pesquisador vai tomando contato com o material impresso, deve organizá- lo. Poderá fazê-lo através do fichamento bibliográfico por autor, onde ficarão anotados

o nome do autor (na chamada), o título da obra, edição, local de publicação, editora, ano da publicação, número do volume se houver mais de um e número de páginas (MOTA, 2002, p. 45).

Ficha Bibliográfica por Assunto

“Esse tipo de fichamento é mais fácil de trabalhar. As instruções indicadas no item anterior repetem-se aqui, sendo que desta vez o assunto deve estar encabeçando a ficha (na chamada)” (MOTA, 2002, p. 45).

Ficha de Transcrição (ou de Citação)

Este tipo de fichamento serve para que o pesquisador selecione as passagens que achar mais interessantes no decorrer da obra. É necessário que seja reproduzido fielmente o texto do autor (cópia literal). Após a transcrição, indica-se a referência bibliográfica cabível, ou então se encabeça a ficha com a referência bibliográfica completa da obra e após a(s) citação (ões), coloca(m)-se o(s) número(s) da(s) página(s) de origem. Se o trecho for citado entre aspas duplas, e no seu curso houver uma palavra ou expressão aspeada, estas aspas deverão aparecer sob a forma de aspas simples (‘) (MOTA, 2002, p. 46).

Ficha Resumo/Analítica

Uma ficha resumo/analítica consiste numa síntese de um livro, capítulo, trecho ou de vários livros com a intenção de elaborar um trabalho ordenado de conclusões pessoais ou mesmo de um grupo. Para fazer uma ficha resumo/analítica é necessário: verificar a indicação bibliográfica, fazer um esquema, e elaborar o resumo propriamente dito.

A indicação bibliográfica mostra a fonte da leitura; o resumo sintetiza o conteúdo da obra em redação do próprio fichador e/ou através de transcrições literais e, neste caso, com indicação parentética da(s) página(s); as citações dizem respeito às transcrições significativas da obra; a análise crítica do conteúdo lido apresenta as apreciações do fichador, através de análise e críticas coerentes e cientificamente responsáveis, sustentadas nas idéias do próprio fichador e/ou em outros textos, os quais serão devidamente referenciados conforme ABNT, no corpo deste item ou em notas de rodapés da ficha; a ideação coloca em destaque as novas idéias surgidas frente à leitura reflexiva (MOTA, 2002, p. 46-47).

Em suma temos:

FICHAMENTO BIBLIOGRÁFICO

  • Contém dados bibliográficos;
  • Servirá de suporte para notas de rodapé, feitura da bibliografia final e localização do texto;
  • Permite localizar um texto e fazer sua ligação com uma pesquisa;
  • Pode conter observações que indiquem sua utilidade para a pesquisa, por exemplo, fonte primária ou secundária e que parte deve ser lida.

FICHAMENTO DE CITAÇÃO

  • Permite localizar facilmente um texto que dever ser citado;
  • Se o texto for de fácil acesso não é preciso a transcrição, caso contrário, a transcrição é importante;
  • A transcrição ipsis litteris deve vir entre aspas e a página de onde foi extraída entre parênteses;
  • Pode-se optar pela paráfrase em vez de copiar o texto ao pé da letra com o cuidado de manter o sentido do pensamento do autor, a página deve também ser mencionada entre parênteses;
  • Estas fichas serão muito úteis no momento de redigir a monografia.

FICHAMENTO DE LEITURA

  • Permite que o texto lido possa ser revisto de forma breve e precisa; ? Não deve conter transcrições ou citações;
  • Pode ser uma ficha-resumo ou ficha-esquema;
  • Deve ser uma reformulação sintética e de compreensão do texto lido.

FICHAMENTO DE ASSUNTO / TEMA

  • A entrada na ficha ocorre por assunto ao invés de por autor; ? As referências bibliográficas podem ser resumidas;
  • Não há necessidade de transcrições;
  • Todo texto levantado na pesquisa bibliográfica deveria remeter a pelo menos uma ficha de assunto;
  • Será muito útil no momento de redigir a monografia;
  • Permitirá recuperar a pesquisa realizada em trabalhos futuros.

FICHAMENTO DE NORMAS JURÍDICAS

  • Cópia ipsis litteris, com número data de publicação no Diário Oficial;
  • Ao usar a transcrição de norma jurídica na redação final precedê-la coma expressão in verbis.

FICHAMENTO DE JURISPRUDÊNCIA

  • Anotar todas as informações necessárias: tribunal, turma ou câmara, grupo regular ou especial que julgou, nome do relator, resultado dos votos (se unânime ou por maioria) data do julgamento, número ou tipo de recurso, data da publicação da decisão, veículo da publicação (DOU, DOJ Estado… etc.).
  • Pode-se anotar apenas a ementa, um resumo ou a indicação do sentido da decisão (favorável ou contra), caso seja fácil o acesso ao texto completo das decisões.

FICHAMENTO DE ANOTAÇÕES PESSOAIS

  • Registra-se tudo o que o pesquisador quiser incluir em seu trabalho
  • Serve de preliminar de posições que serão assumidas.

Quer facilitar sua vida?

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Como fazer a Leitura e Fichamento
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