Recomenda-se que um texto científico apresente sua redação de forma impessoal, evitando-se a primeira pessoa.

A sua redação exige respeito às normas técnicas de documentação, requisitos de comunicação, de lógica e de estilo. É importante dar ao texto que se escreve elegância, precisão, objetividade e clareza.

No trabalho redigido provisoriamente são feitas emendas ou correções necessárias, para depois se passar para sua redação definitiva. A estrutura definitiva do trabalho vai exigir do pesquisador atenção em relação aos requisitos de coerência e consistência na organização das idéias. É a busca de explicações claras e robustas para conclusões ou fatos inseridos na pesquisa. Após o trabalho pronto (e mesmo durante cada passo), se a idéia que o pesquisador quis transmitir não ficou clara, o conteúdo deverá ser reformulado (não dispense a ajuda do orientador, principalmente neste momento).

O domínio de ortografia e gramática, focalizando aspectos como: uso correto de acentuação, vírgulas, ponto-e-vírgula, sujeito concordando com predicado e assim por diante, é de suma importância. Lembre-se: um trabalho, por melhor que esteja quanto aos aspectos técnicos, se cheio de erros ortográficos (por exemplo), não passa credibilidade.

A linguagem é a embalagem de suas idéias. Capriche!

Linguagem, Redação e Organização do Texto

O princípio básico é o de que tudo o que é bom pode ser melhorado, mas isso nem sempre é relevante. Todavia, há características que fazem toda a diferença entre uma pesquisa medíocre, boa ou excelente, como conteúdo e precisão dos conceitos econômicos utilizados e sua perfeita compreensão e correção ortográfica. Nesses casos, busque sempre a perfeição; nos demais, a decisão é sua (ACCARINI, 2002).

A habilidade de escrever bem pode ser adquirida com a prática por meio do estudo e do trabalho sistematizado. Aqui se encaixa muito bem aquela fórmula tradicional:

escrever bem = 10% inspiração + 90% de transpiração.

Assim, antes de caracterizar a redação científica, vamos considerar a seguinte estrutura lógica de um texto: introdução, desenvolvimento e conclusão. Esta estrutura deve estar presente em qualquer texto independente de seu gênero, seja ele um texto:

Como a redação científica também busca analisar, argumentar e concluir distinguindo- se, assim, da linguagem literária, que é mais subjetiva, vamos enfatizar as características

  • Narrativo, ou seja, gênero de texto usado para contar uma história e que tem como elementos principais: ação, personagem, espaço, tempo, enredo e narrador;
  • Descritivo, quando se tratar de um texto figurativo, o qual tem como finalidade maior descrever as características das pessoas e das coisas, sem a preocupação em analisar, até pode, mas isso não é fundamental;
  • Dissertativo, que consiste em um texto argumentativo sobre um assunto
  • bem delimitado e que tem como objetivos: expor, analisar, explicar, criticar, classificar e defender o tema em questão com argumentos bem fundamentados. O que exige do autor conhecimento prévio e domínio do assunto.

Texto dissertativo de caráter científico

A clareza é um aspecto importante na redação científica. Um texto científico deve dizer o máximo com o menor número possível de palavras. A simplicidade e a elegância devem ser elementos sempre presentes neste tipo de redação.

A redação científica envolve a observação de alguns aspectos indispensáveis muito valorizados pela comunidade científica, tais como objetividade, vocabulário e correção gramatical:

Objetividade: A linguagem utilizada nos trabalhos científicos deve procurar evitar a explicitação de pontos de vista pessoais, não fundamentados em fatos concretos. Por exemplo: “eu penso”, “eu acho”, etc. Algumas expressões subjetivas podem comprometer o valor do trabalho.

Observe os dois enunciados abaixo:

a) A inflação corrói o salário do operário;
b) Eu afirmo que a inflação corrói o salário do operário.

No primeiro caso, pretende-se criar um efeito de sentido de objetividade, pois se enfatizam as informações a serem transmitidas; no segundo, o que se quer é criar um efeito de sentido de subjetividade, mostrando que a informação veiculada é o ponto de vista de um indivíduo sobre a realidade.

O texto dissertativo de caráter científico deve ser elaborado de maneira a criar um efeito de sentido de objetividade, pois pretende dar destaque ao conteúdo das afirmações feitas.
O discurso dissertativo de caráter científico procura destacar o conteúdo de verdade dos enunciados. Esse valor de verdade é criado pela fundamentação das idéias e pela argumentação (BRETAS, 2004, p. 1).

Existem algumas técnicas argumentativas que servem para fundamentar o valor de verdade do enunciado e aumentar o seu poder de persuasão. São elas:

a) O argumento de autoridade.

“Apóia-se uma afirmação no saber notório de uma autoridade reconhecida num certo domínio do conhecimento. É um modo de trazer para o enunciado o peso e a credibilidade da autoridade citada”

(BRETAS, 2004, p. 2).

Ex.: Conforme afirma Bertrand Russell, não é a posse de bens materiais o que mais seduz os homens, mas o prestígio decorrente dela.

b) O apoio na consensualidade.

“Há certos enunciados que não exigem demonstração nem provas porque seu conteúdo de verdade é aceito como válido por consenso, ao menos dentro de certo espaço sociocultural” (BRETAS, 2004, p. 2).

Ex.: O investimento na Educação é indispensável para o desenvolvimento econômico de um país, ou, as condições de saúde são mais precárias nos países subdesenvolvidos.

c) A comprovação pela experiência ou observação

“O conteúdo de verdade de um enunciado pode ser fundamentado por meio da documentação com dados que comprovem ou confirmem sua validade” (BRETAS, 2004: 2).

Ex.: O acaso pode dar origem a grandes e importantes descobertas científicas, o que pode ser demonstrado pela descoberta da penicilina por Alexander Flemming, que cultivava bactérias quando, por acaso, percebeu que os fungos surgidos no frasco matavam as bactérias que ali estavam. Da pesquisa com esses fungos, ele chegou à penicilina.

d) A fundamentação lógica.

“A argumentação pode basear-se em operações de raciocínio lógico, tais como as implicações de causa e efeito, conseqüência e causa, condição e ocorrência.” (BRETAS, 2004, p. 3).

Ex.: Se admite que a vida humana seja o bem mais precioso do homem, não se pode aceitar a pena de morte, uma vez que existe sempre a possibilidade de um erro jurídico e que, no caso, o erro seria irreparável.

Vocabulário: O vocabulário usado nos trabalhos científicos envolve, muitas vezes, terminologia técnica específica. No entanto, o texto deve apresentar clareza para que o leitor possa compreender as idéias expostas no trabalho. Se houver necessidade, para não comprometer a compreensão, os termos devem ser definidos num glossário. Deve ser evitado o uso de gírias ou expressões que possam ter conotação pouco ética ou deselegante.

Correção Gramatical: A correção gramatical é um fator muito importante. O autor do trabalho deve estar atento a aspectos como: ortografia, concordância e pontuação.

Os parágrafos e os capítulos devem apresentar-se de forma encadeada e representar a ligação lógica das idéias que o autor pretende expor no texto. Em outras palavras, ao elaborar um texto dissertativo de caráter científico, deve-se considerar seus elementos qualificadores. São eles: concisão, coesão, coerência e unidade.

Um texto conciso é aquele que transmite um máximo de informações com um mínimo possível de palavras, sem prejuízo da compreensão.

Coesão é o uso correto de termos como advérbios, conjunções, termos da língua portuguesa que são responsáveis pelo encadeamento do texto e que garante a união entre as partes de um todo. Sem coesão, o texto fica incompreensível, com o autor partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação.

E, como resultado da presença de coesão entre as idéias expressas no texto e do perfeito entrosamento entre a idéia principal e as secundárias, temos presente a coerência de um texto. Logo, um texto coerente mantém a argumentação sem contradições.

Já a unidade é o elemento que garante a lógica entre as partes. Assim, um texto com unidade não mistura assuntos diferentes em um mesmo parágrafo, ou expõe uma idéia central sem desenvolvê-la com argumentos bem fundamentados, ou, ainda, cria um parágrafo sem idéia principal. Um texto com unidade não interrompe uma idéia em um parágrafo para concluí-la no parágrafo seguinte.

Observe um exemplo de texto sem coesão, mas com coerência:

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta,

cama, travesseiro (RAMOS, 1978).

Exemplo de texto com coesão, mas sem coerência, apresentado por Ferreira (2001):

“O homem é um ser criativo. A criatividade é inventividade. Esta, por sua vez é muito importante para a vida. Também a vida é muito importante, pois os cientistas até hoje estudam sua origem.”

Exemplo de texto com coesão e coerência em cada parágrafo, mas sem unidade, apresentado por Ferreira (2001):

Os meios de comunicação, em especial a televisão, cumprem um papel fundamental na sociedade, pois além de proporcionarem às pessoas alguns momentos de distração, mostram-se bastante úteis por seu caráter informativo.

Na verdade, essa enorme influência da televisão* sobre o povo não é privilégio somente de países subdesenvolvidos, pesquisas mostram que, mesmo em países europeus como Itália e França, a opinião pública é bastante influenciada pela televisão. Assim, percebe-se que a televisão é um meio de comunicação essencial para a formação intelectual e política da população, já que veicula valores e princípios fundamentais para tal formação.

Observe que, neste último exemplo, a frase destacada em itálico no segundo parágrafo, trata de um elemento que não estabelece uma unidade com o que foi dito anteriormente, pois, apesar de parecer lógico, estabelece uma descontinuidade entre o início do texto e a continuação do mesmo.

As citações (ver capítulo Citações – com base na NBR-10520 da ABNT) são importantes e enriquecem o trabalho. Entretanto, devem ser dosadas para que o trabalho não fique fragmentado.

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A Redação Científica

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